22/08/2011 11:32
Em uma empresa júnior, toda a equipe é formada por estudantes universitários ou técnicos, inclusive os diretores e presidentes. A experiência serve para que o futuro profissional entenda como funciona o mercado
| Ed Alves Esp.CB.DAPress |
| Guilherme Junger tem 23 anos e já é sócio de duas empresas. Segundo ele, a passagem por uma instituição júnior foi decisiva para o sucesso |
Conhecer o mercado. Saber como funciona a hierarquia e como se comportar dentro de uma empresa. Desenvolver liderança, trabalhar em equipe e formar redes de relacionamento. Lidar com clientes. Aliar a teoria aprendida dentro da sala de aula com a prática profissional. Tudo isso antes mesmo de concluir o curso universitário ou técnico. Essas são experiências que um estudante tem ao passar por uma empresa júnior (EJ). Essa instituição se assemelha a uma empresa tradicional. Tem estatuto, regimento interno, diretoria — formada por um presidente e um diretor em cada área de atuação — e processo seletivo para admissão de membros. A diferença é que é uma associação civil sem fins lucrativos, vinculada a uma instituição de ensino e administrada apenas por estudantes — que podem ser de um ou mais cursos. Todo o lucro gerado é investido na organização da própria EJ.
O empresário júnior não tem carteira assinada e sequer recebe remuneração. Trabalha para aprender. Mas desde cedo começa a realizar atividades que o apresentam à prática de sua profissão e à vida empresarial — a EJ presta serviços de consultoria e assessoria, com custo reduzido, a empresários e instituições públicas e privadas, geralmente micro e pequenas empresas. O presidente da Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior), Carlos Nepomuceno, diz que a postura empreendedora é o principal aprendizado do integrante de uma EJ. “Apesar de não ser a única, a empresa júnior é uma excelente oportunidade para abrir a visão de mundo. Nela, o estudante adquire conhecimentos de gestão de empresa, algo que não se aprende na faculdade ou em estágios”, afirma.
Gerenciamento
Esse aprendizado ajudou Guilherme Junger, que, aos 23 anos, já é sócio de duas empresas: a Alianza, que presta consultoria administrativa, e a Viva Farma, farmácia que vende produtos pela internet e em uma loja na comercial da 113 Norte e da qual é sócio-fundador. De 2005 a 2008, ano em que se formou, Guilherme atuou na área de finanças da AD&M, empresa júnior de administração ligada à Universidade de Brasília (UnB). Segundo Junger, a experiência foi decisiva para o precoce sucesso nos negócios. “Os contatos que fiz com os sócios da Alianza e com meus primeiros clientes foram pela empresa júnior. O conhecimento que adquiri em meu tempo na AD&M foi o que mais me ajudou profissionalmente”, garante o hoje administrador.
Quem pretende seguir o exemplo de Junger e também abrir uma empresa é o universitário Vinícius Domingues, 20, atual diretor de relações institucionais do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Jovem do Distrito Federal (Crea Jovem/DF) e integrante do núcleo de engenharia civil da Projetos Integrada, a empresa júnior gerida por estudantes do Centro Universitário de Brasília (Uniceub). Há quatro meses, o rapaz desenvolve um plano de negócios em engenharia civil para ser aceito pela Casulo, incubadora de empresas da universidade. “Para mim, trabalhar na Projetos foi totalmente diferente de um estágio convencional, pois aprendi muita coisa de gerenciamento”, conta Domingues, que atuou como gerente na EJ.
A psicóloga e especialista em recursos humanos Rita Brum atenta para o fato de que os conhecimentos do empresário júnior, além de auxiliarem na abertura do próprio negócio, são diferenciais que chamam a atenção em entrevistas de emprego. “O estudante que passou por uma EJ tem noção do mundo empresarial, não importa de qual curso seja. Na entrevista, quando identifico alguém com esse tipo de experiência, faço perguntas sobre as atividades que ele exerceu e passo para o cliente”, conta a sócia-diretora da Rhaiz Soluções em RH.
Fazer a diferença é o que pretende Bruno Berlanda, 21, presidente da Monde, empresa júnior de relações internacionais que é ligada ao Instituto de Ensino Superior de Brasília (Iesb) e oferece serviços de consultoria a empresas que querem abrir suas portas ao mercado externo. O estudante quer trabalhar com comércio exterior e ir na contramão das oportunidades em Brasília. “Aqui, as principais chances para o profissional de relações internacionais estão concentradas no serviço público, onde fiz estágio. Nós (da Monde) somos um grupo de estudantes que não querem seguir esse caminho”, relata. Depois de se formar, Bruno pretende trabalhar em São Paulo e no exterior.
Sem esquecer a teoria
Carla Atloga é professora de psicologia da UnB e supervisora da área de ergonomia da Práxis, empresa júnior do curso. Sua função é acompanhar os projetos captados pelos estudantes e assiná-los, já que só alguém com o registro de psicólogo tem esse direito. Formada na Universidade de Brasília em 2001, Carla foi membro da Práxis e diz que a experiência foi importante para sua carreira. Ela recomenda que universitários passem um tempo em uma instituição júnior. “Quem faz isso, tem contato com o mundo real, o mercado de verdade.”
Mas a professora liga o sinal amarelo aos empresários juniores. Ela diz que observa muitos casos em que o aluno marginaliza o estudo teórico. “Equilibrem o tempo e aliem os conhecimentos. A empresa júnior é um grande diferencial, é algo a mais no currículo. É bom lembrar, porém, que o aluno não é um funcionário da empresa”, recomenda.
Multidisclipinar
Uma empresa júnior multidisciplinar é formada por estudantes de mais de um curso. Em Brasília, há a Projetos Integrada, do UniCeub — que engloba administração, direito, comunicação social, psicologia, ciências contábeis e ciências da computação, além de um núcleo de engenharia civil. Para o presidente da Projetos, Leonardo Haag, “a instituição com várias áreas enriquece o portfólio, dá mais opções aos clientes e promove uma interação maior entre alunos”. O presidente da Brasil Júnior, Carlos Nepomuceno, corrobora as palavras, mas alerta: “Isso não quer dizer que a EJ de um só curso tenha qualidade menor”.
O empresário júnior não tem carteira assinada e sequer recebe remuneração. Trabalha para aprender. Mas desde cedo começa a realizar atividades que o apresentam à prática de sua profissão e à vida empresarial — a EJ presta serviços de consultoria e assessoria, com custo reduzido, a empresários e instituições públicas e privadas, geralmente micro e pequenas empresas. O presidente da Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior), Carlos Nepomuceno, diz que a postura empreendedora é o principal aprendizado do integrante de uma EJ. “Apesar de não ser a única, a empresa júnior é uma excelente oportunidade para abrir a visão de mundo. Nela, o estudante adquire conhecimentos de gestão de empresa, algo que não se aprende na faculdade ou em estágios”, afirma.
Gerenciamento
Esse aprendizado ajudou Guilherme Junger, que, aos 23 anos, já é sócio de duas empresas: a Alianza, que presta consultoria administrativa, e a Viva Farma, farmácia que vende produtos pela internet e em uma loja na comercial da 113 Norte e da qual é sócio-fundador. De 2005 a 2008, ano em que se formou, Guilherme atuou na área de finanças da AD&M, empresa júnior de administração ligada à Universidade de Brasília (UnB). Segundo Junger, a experiência foi decisiva para o precoce sucesso nos negócios. “Os contatos que fiz com os sócios da Alianza e com meus primeiros clientes foram pela empresa júnior. O conhecimento que adquiri em meu tempo na AD&M foi o que mais me ajudou profissionalmente”, garante o hoje administrador.
Quem pretende seguir o exemplo de Junger e também abrir uma empresa é o universitário Vinícius Domingues, 20, atual diretor de relações institucionais do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Jovem do Distrito Federal (Crea Jovem/DF) e integrante do núcleo de engenharia civil da Projetos Integrada, a empresa júnior gerida por estudantes do Centro Universitário de Brasília (Uniceub). Há quatro meses, o rapaz desenvolve um plano de negócios em engenharia civil para ser aceito pela Casulo, incubadora de empresas da universidade. “Para mim, trabalhar na Projetos foi totalmente diferente de um estágio convencional, pois aprendi muita coisa de gerenciamento”, conta Domingues, que atuou como gerente na EJ.
A psicóloga e especialista em recursos humanos Rita Brum atenta para o fato de que os conhecimentos do empresário júnior, além de auxiliarem na abertura do próprio negócio, são diferenciais que chamam a atenção em entrevistas de emprego. “O estudante que passou por uma EJ tem noção do mundo empresarial, não importa de qual curso seja. Na entrevista, quando identifico alguém com esse tipo de experiência, faço perguntas sobre as atividades que ele exerceu e passo para o cliente”, conta a sócia-diretora da Rhaiz Soluções em RH.
Fazer a diferença é o que pretende Bruno Berlanda, 21, presidente da Monde, empresa júnior de relações internacionais que é ligada ao Instituto de Ensino Superior de Brasília (Iesb) e oferece serviços de consultoria a empresas que querem abrir suas portas ao mercado externo. O estudante quer trabalhar com comércio exterior e ir na contramão das oportunidades em Brasília. “Aqui, as principais chances para o profissional de relações internacionais estão concentradas no serviço público, onde fiz estágio. Nós (da Monde) somos um grupo de estudantes que não querem seguir esse caminho”, relata. Depois de se formar, Bruno pretende trabalhar em São Paulo e no exterior.
Sem esquecer a teoria
Carla Atloga é professora de psicologia da UnB e supervisora da área de ergonomia da Práxis, empresa júnior do curso. Sua função é acompanhar os projetos captados pelos estudantes e assiná-los, já que só alguém com o registro de psicólogo tem esse direito. Formada na Universidade de Brasília em 2001, Carla foi membro da Práxis e diz que a experiência foi importante para sua carreira. Ela recomenda que universitários passem um tempo em uma instituição júnior. “Quem faz isso, tem contato com o mundo real, o mercado de verdade.”
Mas a professora liga o sinal amarelo aos empresários juniores. Ela diz que observa muitos casos em que o aluno marginaliza o estudo teórico. “Equilibrem o tempo e aliem os conhecimentos. A empresa júnior é um grande diferencial, é algo a mais no currículo. É bom lembrar, porém, que o aluno não é um funcionário da empresa”, recomenda.
Multidisclipinar
Uma empresa júnior multidisciplinar é formada por estudantes de mais de um curso. Em Brasília, há a Projetos Integrada, do UniCeub — que engloba administração, direito, comunicação social, psicologia, ciências contábeis e ciências da computação, além de um núcleo de engenharia civil. Para o presidente da Projetos, Leonardo Haag, “a instituição com várias áreas enriquece o portfólio, dá mais opções aos clientes e promove uma interação maior entre alunos”. O presidente da Brasil Júnior, Carlos Nepomuceno, corrobora as palavras, mas alerta: “Isso não quer dizer que a EJ de um só curso tenha qualidade menor”.
Fonte: Correio Braziliense
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